Aquele em que não sai nada com nada ás 03h da manhã…

“…então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo — o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão –, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.” PRATA, Antônio (O Salto)

    Esse é um dos meus textos preferidos, ele me fez enxergar as coisas um pouco diferentes ultimamente. Então cá estou, as 03h40 da manhã lendo-o pelo que pode ser a milésima vez e escrevendo um pouco.

    Acabei de terminar minhas malas. Amanhã eu volto pra cidade que gosto de chamar de minha, pra perto das pessoas que gosto de chamar de amigos e a viver o que eu posso chamar de vida. Como pode a cidade em que eu moro há nem um ano direito tornar-se mais acolhedora do que o lugar onde cresci? Pois tornou-se. E essa cidade eu chamo de casa, lar. Parece cruel, não? Na verdade não. Mas não é sobre isso que quero falar. Talvez seja esse anti alérgico, talvez seja a música tocando agora, a goiaba que comi 10 minutos atrás, o ar condicionado fazendo eu me cobrir, mas alguma coisa está fazendo com que o que eu penso não saia escrito da forma como tenho pensado e esse texto está se tornando uma bagunça. Talvez seja exatamente por isso que decidi escrevê-lo.

    Hoje assinei meu primeiro contrato. O primeiro contrato no meu nome. Minha primeira assinatura reconhecida em cartório. De repente, acho que virei adulta. Quando foi que isso aconteceu? Entre o começo da vida sozinha e a primeira assinatura de contrato – como se cria uma assinatura de gente grande? – nasceu a responsabilidade de ser uma adulta. Então quero tentar andar com minhas próprias pernas. Se é pra ser adulta, que seja por inteira. Se é pra ter independência, não vale a pena ser pela metade. E não me levem a mal, é excelente receber dinheiro dos meus pais e ter a única “preocupação” de estudar e me formar. Mas não é isso que eu quero. Quero ser capaz de pagar minha própria comida, de comprar o que tenho vontade, de não precisar dar satisfação de onde meu dinheiro foi parar ou com o que gastei ele. Quero poder viver uma vida e dizer que ela é inteiramente minha.

    Antônio Prata escreveu que a gente não tem como saber se vai dar certo e que a vida não tem sentido se não for pra dar o salto. Acho que é o que tenho tentado fazer. Tenho tentado dar o salto. Falar as coisas que acho que precisam ser ditas, fazer as coisas que tenho vontade de fazer. Tive um professor ano passado que, durante uma crise adolescente minha, virou pra mim e disse: “Fala. O que é que você tem a perder?”. A gente sempre acha que pode perder tudo. Oras, se perdermos, não era tudo. A gente realmente não tem como saber se vai dar certo. Olha o tiro no escuro que todas as nossas escolhas são. É isso que vai nos fazer parar de escolher? Não saber se vai dar certo? Porque se for assim, podemos todos deitar em nossas camas e esperar a morte chegar. Acho que cansei de reprimir meus impulsos, de controlar minhas vontades, de não falar o que estou pensando, de não ir atrás de algo que sinto. Talvez essa crônica tenha feito eu me jogar, talvez eu realmente tenha tirado as mãos do trapézio e me lançado em pleno ar e no momento esteja esperando para ver se vou sair voando ou me esborrachar. Ei, Antônio, obrigada. Estou saltando.

Mas eu sou só uma menina chapada de anti alérgico as 04:11 da manhã. O que diabos eu sei?

É isso aí. Aquele abraço!

Inspira, respira, não pira e conte até 71.

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