Aquele em que eu falo de coisa séria…

Você não está sozinho.

       Então, o blog voltou. E eu decidi voltar com o Conte até 71 começando com um assunto mais sério. O vídeo de hoje é sobre transtornos alimentares.

        É um assunto que eu já levantei antes, que eu já falei sobre antes, mas dessa vez eu trouxe ele pro lado mais pessoal, abrindo de uma vez o jogo. Eu convivo com um transtorno alimentar e tenho convivido faz um tempo. Você não se ”cura” disso. É uma luta diária. Você está bem, até que não está mais. No vídeo eu falo da minha recaída nessas férias. Eu não me sentia bem, eu não estava em um lugar onde me sentia feliz, eu me sentia sozinha, como se não pertencesse. E aí eu perdi 5kg em um mês e meio. Pra alguém que já pesava menos de 50kg, isso não é uma coisa muito boa. Não é saudável.

      A primeira vez que eu lidei com isso foi durante a escola. Eu estudei em uma escola com meninas lindas, bonecas, com seus corpos perfeitos e cabelos lindos e seus perfis parecidos. Eu nunca senti me encaixar nesse perfil. Por uma série de outros fatos, junto com esse, eu desenvolvi anorexia, e depois bulimia. Passei em média dois anos com isso e lidando com isso sem ninguém saber. Até pedir ajuda, eu sabia que não ia sair disso. Então eu pedi. E eu melhorei. Entrei nos eixos de novo. E eu não posso falar que desde lá essa é a primeira vez que dou uma escorregada. Mas é a primeira vez que saio dos trilhos de verdade. E eu posso colocar um milhão de motivos pra isso ter acontecido, mas não vem ao caso. O que vem ao caso é que eu pedi ajuda na hora certa.

      Porque eu estou falando tudo isso tão abertamente? Porque eu sei que tem muita gente passando pelo mesmo que eu e que sente vergonha de falar sobre o assunto e pedir ajuda. Eu sei. Eu sinto vergonha. Senti vergonha por ter deixado meu transtorno tomar conta de mim a ponto de eu não me reconhecer. E eu não me orgulho disso. Mas eu sentiria mais vergonha se tentasse, de novo, encarar isso sozinha. Essa é a segunda vez que falo abertamente sobre isso. Na primeira, eu deixei alguém orgulhoso. Uma pessoa chegou pra mim e disse “eu estou orgulhoso de você”. E isso significou alguma coisa pra mim. E ter falado, me fez bem. Me ajudou. E falar agora me faz muito bem também.

      Se você não entende que transtornos alimentares são uma doença séria, então eu peço que procure se informar. Porque é sério. Não é frescura, não é bobagem, não é uma forma de chamar atenção. É uma doença, e merece ser tratada com tal preocupação como as outras. Porque ela também mata. E mata de uma forma muitas vezes mais dolorosa do que as doenças vistas como mais ”importantes”.

      Eu sou anoréxica-bulímica. E eu sei que admitir um problema é o primeiro passo para recuperação.

Anorexia é a doença mental que mais mata: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-10-23/anorexia-e-a-doenca-mental-que-mais-mata-no-mundo-diz-pesquisador.html

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