Aquele em que eu fiquei sem luz…

“A felicidade pode ser encontrada mesmo nas horas mais difíceis, se você lembrar de acender a luz” (Albus Dumbledore)

     Poxa Dumbledore, não é que você (mais uma vez) tinha razão? Eu fui acender a luz pra ser feliz e olha só!, não tinha.  Foram quase duas horas de muito desespero.

     Então foi neste sábado de sol e chuva e sol e chuva e sol e chuva   tempo indefinido que a energia do bairro em que eu moro decidiu cair. Ali pelas 19h mais ou menos, depois de mais uma pancada de chuva, no meio do meu episódio de The OC, que eu percebi que não tinha mais internet e que meu celular não estava mais carregando.  Felizmente eu tinha bateria no notebook (não muita) e já estava em 90% no celular. Tudo bem, pensei. Vou cozinhar alguma coisa pra postar no blog.

    Claro. Porque o fogão não é elétrico.

    Tudo bem, vou pesquisar coisas para se fazer em dias de apagão.

    Óbvio. Porque a internet funciona mesmo.

    Dã, vou pesquisar pelo celular. 3G sua linda.

    Excelente. Só falta a 3G querer ter sinal.

    Tudo bem, vou legar alguma coisa.

    É nessa hora que você percebe que quase todos os seus livros estão em casa, em Florianópolis.

    Aí você resgata um dos únicos livros disponíveis que você não tenha lido 452 vezes. E eu acabei viajando nas crônicas fabulosas de Antônio Prato, com o seu livro Nu, de botas, enquanto ouvia música no notebook que estava com a bateria por um fio. Eu sei, não é o que vocês esperavam pra um post do blog. Nem o que eu esperava do meu sábado a tarde. Mas ei, a vida tem dessas. Tem desses dias chuvosos e indefinidos que não nos dá vontade de sair da cama e que a luz decide acabar. Então vou deixar com vocês uma das músicas que eu mais ouvi no dia e um trecho de uma das crônicas que eu mais gostei.

“…A gritaria continuou até o momento em que meu pai, com a naturalidade de quem discute amenidades com senhores de cinquenta anos – e com a perspicácia pedagógica de uma criança de cinco – nos perguntou: “O que é que tem?”

Até aquele ponto de minha vida, chupar pinto não tinha nenhuma relação com a realidade concreta, muito menos com a sexualidade. A frase “chupa meu pinto” pertencia ao terreno das ofensas, ao jargão do futebol, como “prensada é da defesa”, “saída bangu” e “vou te encher de porrada” – esta sim uma ameaça que poderia ser cumprida, embora raramente fosse. Chupar o pinto era metafórico, como “cospe e sai nadando” ou “vai ver se eu to na esquina”, e jamais tinha passado por nossas cabeças que alguém de fato se envolvesse em tal atividade – e porque se envolveria?

“Não sei do que vocês estão rindo tanto”, continuou meu pai. Meti o corpo entre os bancos da frente e gritei, querendo crer que ele não tivesse escutado direito: “Ela tava chupando o pinto dele! O pin-to!”. Meu pai moveu a cabeça de um lado pro outro, como se fosse incompreensível nosso alvoroço: “Antônio, chupar pinto é uma coisa muito normal. E saudável. Todo casal faz isso”

Acreditem: era só o começo”

(Crônica: Blowing in the wind – Antônio Prata)

É isso aí. Aquele abraço!

Inspira, respira, não pira e conte até 71.

Dia 5

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